Concertos em Família – O Som no Silêncio (teaser)

A 2ª Edição dos Concertos em Família, alusiva ao tema “O Som no Silêncio” terá lugar no dia 26 de julho, pelas 11h00, transmitida no Site, Facebook e Instagram da Câmara de Gaia, em simultâneo, e contará com a participação da Orquestra Per Cordare, da Escola de Música de Perosinho.

Se uma árvore cair numa Floresta e ninguém estiver perto para ouvir, será que faz um som?

“O SOM NO SILÊNCIO é o tema do segundo concerto desta versão online dos “Concertos em Família” e pode ser abordado a partir de uma perspetiva musical, física ou mesmo metafísica… Do ponto de vista da ciência, o conceito de “vazio” significa ausência de matéria e, por essa razão, a impossibilidade da propagação do som. Fazendo uma ligação à frase acima transcrita, haverá alguma razão que justifique a realização de um concerto num espaço vazio? Mesmo que não fosse possível a gravação e posterior transmissão para o público, a resposta seria sempre positiva… seria sempre um movimento simbólico de valorização do silêncio como espaço de recolhimento, de introspeção e de reflexão a que, no caso do mosteiro de Grijó, pode associar-se também a espiritualidade ou a religiosidade que a comunhão com o espaço pode ampliar.
Normalmente quando tentamos explicar um determinado conceito temos a tendência para o fazer através do seu oposto. Do ponto de vista físico, Som e Silêncio são opostos mas, do ponto de vista musical, estes conceitos são aspetos complementares, interdependentes. O Silêncio antes, durante e depois do Som musical é também música…”
João Costa

Tendo por base a “ideia” apresentada como tema deste concerto, a decisão artística partiu da seguinte pergunta: Qual é o som que este silêncio pede? A seguir a este desafio, outro objetivo foi claro: explorar as características do património arquitetónico, nomeadamente os espaços da igreja e do claustro, sendo de especial relevância a existência de um órgão de tubos ibérico do séc. XVIII, elemento central do espaço e das celebrações religiosas. Abdicando da coerência histórica e estética das obras, pretende-se ilustrar uma comunhão entre o espaço (físico e metafísico) e o som real.
A primeira obra a ser apresentada é a Ária da Suite em Ré Maior de Johann Sebastian Bach (1685-1759), compositor Alemão do período Barroco. Esta peça, talvez uma das mais tocadas do repertório de orquestra de cordas, é também conhecida por “Aria para a 4ª corda” devido a um arranjo desta peça feita pelo violinista August Wilhelmj, em que toda a melodia poderia ser tocada na corda Sol (4ª corda) do violino. Neste concerto a versão interpretada é a original.
De seguida, o Órgão, o “Rei dos instrumentos” nas palavras de Mozart, “enche o espaço” com a obra Ballo della Battaglia do compositor Italiano Bernardo Storace (1637-1707). A obra, recorrendo a uma imensa “paleta de sons” possibilitados pelas inúmeras combinações de registos do órgão ibérico do Mosteiro de Grijó, nomeadamente através do uso das suas palhetas horizontais, representa uma dança que evoca, quase visualmente, temas bélicos.
A última peça do concerto é Lascia ch’io pianga, que traduzido para Português significa “deixa que eu chore”, uma ária cantada da Ópera “Rinaldo” do compositor Georg Friedrich Händel (1685-1759), compositor também Alemão, naturalizado Britânico e contemporâneo de Bach. O enredo desta ópera passa-se durante o cerco a Jerusalém aquando da Primeira Cruzada, no final do Séc. XI. No centro do enredo desenrola-se uma história de amor entre Rinaldo, um cavaleiro cristão, e Almirena, filha do general Goffredo, responsável pelo ataque aos Muçulmanos. Lascia ch’io pianga relata a cena em que Almirena, depois de sequestrada por uma feiticeira, lamenta o seu destino e suplica pela sua liberdade ao rei Argante, seu captor, a quem consegue comover pelo seu canto.

OS INTÉRPRETES
Neste concerto o grupo intérprete é a Orquestra Per Cordare da Escola de Música de Perosinho, constituída por alunos, ex-alunos, professores e outros colaboradores da escola. Com este grupo apresenta-se o Soprano Luísa Barriga e, a solo, o Organista André Bandeira, ambos professores da Escola de Música de Perosinho.

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