Helena Sarmento

Os “Concertos no Sítio Certo” são um conjunto de momentos musicais, protagonizados por artistas com linguagens estéticas diversas em locais alternativos às salas de espetáculos, transmitidos online durante o verão.
Este ciclo resulta de um desafio do Município de Gaia a músicos e técnicos para repensarem os seus espetáculos, a fim de se adaptarem à grande e repentina mudança nos hábitos sociais, imposta pelo Covid-19, e que se fez sentir particularmente no setor cultural. Três artistas Gaienses e uma jovem promessa nacional, compõem o cartaz de agosto dos “Concertos no Sítio Certo”, que serão transmitidos através do Youtube, Facebook e Instagram municipais, aos domingos, às 19h00.

Helena Sarmento nasceu a 23 de agosto de 1981, em Lamego, mas é gaiense por adoção.
Aos 13 anos foi vocalista de uma banda pop-rock. Quando descobriu Amália, o fado tomou-lhe conta da vida, como um raro amor para sempre. Mas o Fado não é apenas um feitiço; é um segredo que quanto mais se canta mais se conta e mais secreto fica. Perceber-lhe o sentido, a importância e a forma como nele se vive demorou-lhe a distância dos anos necessários até à descoberta de um caminho próprio. Em 2011 editou o seu primeiro disco, Fado Azul e em 2013 o segundo, Fado Dos Dias Assim, qualquer deles editado também para todo o mundo pela prestigiada Sunset France, acontecimento raro, no que a um primeiro disco se refere. Em 13 de Abril de 2018 editou Lonjura, o seu 3º álbum de originais (disco Antena 1, com apoio do Museu do Fado e da Fundação GDA). É nas palavras que canta que Helena Sarmento se encontra e se reinventa e é nelas que se condensa, desde Fado Azul, a coerência que persegue na construção de um universo original, próprio e identificador do seu projeto. A Vida é a circunstância inevitável da Arte. A Liberdade, a circunstância necessária do Artista. No seu novo disco, Lonjura, helena sarmento surge, mais do que nunca, esplendorosa e livre. Quatro fados totalmente originais: Fado em Branco (que abre o disco), com música de Samuel Cabral e João Gigante-Ferreira; Fado Depois da Tempestade, de Samuel Cabral; Contigo por Lisboa e Fado Jurídico-Criminal, ambos com música de André Teixeira e todos com palavras de João Gigante-Ferreira; Noite de Inverno, e Fado Azul (se Azul se Atreve), com palavras novas de João Gigante-Ferreira para os tradicionais Fado Mocita dos Caracóis (Alfredo Marceneiro), e Fado Vianinha (Francisco Viana); Fado Xuxu, do repertório de Amália Rodrigues, singela lembrança e devido tributo; Fado Não-Valentim, uma recriação do popular Valentim, na doce subversão das palavras de João Gigante-Ferreira; Lonjura, tema que dá nome ao próprio disco, um poema do pai da fadista, o escritor Joaquim Sarmento, cantado na música do Fado Menor do Porto (João Black); Era um redondo vocábulo, letra e música de José Afonso e O Bêbado e a Equilibrista (que encerra o disco), de João Bosco e Aldir Blanc, são duas interpretações muito inspiradas que completam os onze temas que compõem este novo trabalho. Na música, uma formação tradicional de excecionais executantes: Samuel Cabral na guitarra portuguesa (e na direção musical), André Teixeira na viola de fado (e nos arranjos) e Sérgio Marques (Ginho) no baixo de fado. Um disco para ser ouvido por quem queira ouvir com os seus próprios ouvidos, implantados na sua própria cabeça, sem rótulos nem catálogo obrigatório. Lonjura, é o tema onde a voz mais descerra o lugar da (sua) alma. A letra, de seu Pai, parece premonitória dessa outra lonjura maldita, a doença que ao longo dos anos o foi rondando e roubando a si mesmo e a quem o ama. helena sarmento é aqui a Voz. Profunda e poderosa. Que vem do longe da memória e do mais escondido de si. E dela se impôs a urgente e inevitável consequência de que todo este disco seja um dedicado tributo e homenagem a Joaquim Sarmento: ao Homem, à sua coragem e ao privilégio de dele ser filha.

“Helena Sarmento afirma-se, pelo estilo próprio, voz singular, repertório original, comunicabilidade envolvente, uma referência nesse movimento já irreversível. O seu presente CD coloca-a, a partir de agora, na primeira linha dos fadistas fadados para puxar-nos o futuro.”
(Fernando Dacosta)
“Ouvimos fados tradicionais, cantados já por tanta gente, mas temos a sensação de eles estarem a ser reinventados, temos a sensação do novo.”
(Rui Vieira Nery)
“Sem descurar a tradição, abrem-se portas a uma atitude de combate (que não esquece a ternura) e de luta pela mudança (que não ignora as regras).”
(João Gobern)

Próximos concertos no Sítio Certo, agosto ‘20

16 ago, 19h – Murta
23 ago, 19h – Cardo Roxo
30 ago, 19h – David Bruno

Youtube, Facebook e Instagram municipais
Mais informações através do tlf 223 742 904 ou e-mail gaiacultura@cm-gaia.pt

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